Minha família é tudo
Sou casado há 18 anos com Maria Aparecida da Silva Araujo. No momento mais difícil da minha vida, ela esteve ali, firme, segurando tudo junto. Sem ela, teria sido muito mais difícil.
Sou pai de três filhos que são meu maior motivo para continuar cada dia: Matheus Lobo Araujo, o primogênito, que me ensina sobre coragem; Ana Luiza Lopes da Silva Araujo, minha princesa, que me ensina sobre delicadeza; e Gustavo Lopes da Silva Araujo, o caçulinha, que me ensina que a vida é feita de alegria.
Também sou pai por consideração, e de coração, de Alessandro Antenor, Amanda Antenor e Alan Antenor. Família não se mede por sangue, e eles são prova viva disso.
Meus pais sempre foram minha base. Meus irmãos e irmãs, cunhados e cunhadas, cada um à sua maneira, sempre estiveram presentes. Essa família é o que me dá forças para levantar todos os dias.
Três infartos
O primeiro infarto veio como um susto. O segundo como um alerta. O terceiro, no dia 14 de setembro de 2024, veio como um ultimato. Foi o mais grave de todos.
Fui levado às pressas para o Instituto do Coração (InCor), referência em cardiologia na América Latina. O cateterismo revelou o que os médicos já temiam: várias artérias do meu coração estavam comprometidas, algumas com 90% e até 100% de obstrução. No mesmo dia, precisei receber dois stents para manter o sangue fluindo.
90-100%
Obstrução arterial
2
Stents colocados
22%
Função cardíaca
UTI
Balão intra-aórtico
Mas os stents não foram suficientes. Meu coração não conseguia bombear sozinho. Precisei de um balão intra-aórtico, um dispositivo colocado dentro da artéria para ajudar o coração a fazer o trabalho que ele já não dava conta. Além disso, fui mantido com drogas vasoativas como a dobutamina, medicamentos que forçavam o coração a continuar funcionando. Eram as máquinas e os remédios que estavam me mantendo vivo enquanto meu corpo lutava para se recuperar.
Dois dias depois, o ecocardiograma mostrou que meu coração estava funcionando a apenas 25% da capacidade. Hoje, esse número é 22%. Para ter uma ideia, o normal de uma pessoa saudável fica entre 55% e 70%. Ou seja, meu coração trabalha com menos de um terço da força que deveria ter.
Oração e quem esteve ao meu lado
Nos dias mais difíceis na UTI, quando a incerteza era maior do que qualquer diagnóstico, foi a oração que me trouxe paz. Eu orava, minha família orava, pessoas que eu nem conhecia oravam por mim. E isso fez diferença.
Do lado de fora da UTI, minha esposa Maria não saiu um minuto. Meus filhos, mesmo assustados, estiveram ali. Meus pais, meus irmãos, toda a família se mobilizou sem me abandonar um segundo sequer.
Essa rede de amor e oração é o que me manteve vivo. Não foram só os médicos e os aparelhos. Foi saber que tinha gente do lado de fora orando, esperando eu voltar.
A promessa na UTI
Foi naquele leito de hospital, cercado de silêncio e conectado a aparelhos, que nasceu a ideia do Coração em Movimento. Com o coração funcionando a 25%, eu pensei em todas as dúvidas que tive, no medo que senti, nas informações que precisei buscar sozinho, nas histórias que gostaria de ter ouvido de quem já passou por aquilo.
Decidi, ali mesmo, que se Deus me desse mais uma chance, eu iria construir algo que pudesse ajudar outras pessoas na mesma situação. Algo que eu mesmo gostaria de ter encontrado quando tudo começou.
O Coração em Movimento
Esta plataforma é o resultado dessa promessa. Um espaço para compartilhar conhecimento médico de qualidade, reunir histórias reais de superação e conectar pessoas a profissionais de saúde que entendem o que significa recomeçar depois de um evento cardíaco.
Não sou médico. Sou alguém que vive isso na pele todos os dias, com um coração que funciona a 22%, e que agradece a Deus por cada manhã ao lado da família que nunca soltou minha mão. E se a minha experiência pode ajudar uma pessoa sequer a se sentir menos sozinha nessa jornada, então tudo terá valido a pena.
Minha rotina hoje
Continuo sendo acompanhado pelo InCor. São consultas regulares, exames periódicos e ajustes de medicação. A cada retorno, agradeço por estar ali, de pé, conversando com os médicos que me salvaram.
Minha rotina mudou completamente. Alimentação controlada, medicamentos todos os dias, atividades físicas leves e acompanhamento constante. Aprendi a ouvir meu corpo e a respeitar os limites que ele me impõe.
Mas a maior mudança foi na forma de ver a vida. Cada manhã ao lado da minha família é um presente. Cada página que alguém lê neste site é a prova de que a promessa feita naquela UTI está sendo cumprida.
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